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O Protagonismo da pecuária e a rastreabilidade bovina na Abertura da Colheita do Arroz

27/02/26

O painel sobre Rastreabilidade, realizado na Arena de Inovação da Abertura da Colheita do Arroz foi mais um espaço para abordar a pecuária como fator de equilíbrio nas propriedades rurais. O evento contou com a participação do secretário adjunto da Seapi, Márcio Madalena, o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul, Fernando Cardoso, o pecuarista e presidente do Conselho Técnico Operacional da Pecuária de Corte do Fundesa, Pedro Piffero e a fiscal estadual agropecuária da Seapi, Rosane Collares.

Madalena destacou que o trabalho de implantação da rastreabilidade bovina no Estado começou “da porteira para dentro”, com diálogo direto com os produtores para compreender a realidade das propriedades. Ele explicou que a estratégia está estruturada em três etapas: aprimoramento do sistema de defesa animal; testagem prática do sistema nas propriedades participantes do projeto-piloto; e, por fim, consolidação e implementação do programa definitivo. “A ideia é testar a campo, construir junto com o setor produtivo e, a partir dessa experiência, construir o modelo mais adequado à realidade do Estado”, afirmou.

Já Rosane Collares lembrou que a rastreabilidade não é um tema novo para o Estado nem para o setor produtivo e que a exigência parte, sobretudo, do mercado internacional. “É uma demanda dos parceiros externos e precisamos responder a isso”, destacou.
Ela citou que o plano-piloto foi lançado em 2025 e que o Estado já vinha avançando em diferentes frentes. Um dos exemplos é o sistema adotado na pecuária leiteira desde 2017, que trouxe resultados positivos e serviu de base para o modelo atual. A partir dessa experiência, foi estruturado o projeto voltado à bovinocultura de corte.

Fernando Cardoso ressaltou que a rastreabilidade é um caminho sem volta para o setor agropecuário. Segundo ele, a adoção de sistemas que permitam acompanhar a origem e o histórico da produção é fundamental para garantir segurança tanto ao produtor quanto ao consumidor.

Atualmente, o projeto-piloto de rastreabilidade bovina do Rio Grande do Sul conta com 50 propriedades voluntárias selecionadas para testar a aplicação de brincos de identificação individual dos animais e a integração das informações ao Sistema de Defesa Agropecuária (SDA), plataforma que será utilizada para o registro oficial.

A iniciativa está alinhada ao Programa Nacional de Identificação e Rastreabilidade de Bovinos e Bubalinos (PNIB), coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com participação dos estados e de entidades representativas do setor. O programa estabelece um cronograma de sete anos para adaptação, com previsão de adoção obrigatória da rastreabilidade individual a partir de 2033.

Para Piffero, a presença da pecuária em um evento tradicionalmente voltado à lavoura é uma oportunidade para defender a integração entre as duas áreas com ganhos para o produtor. O desafio, para o dirigente, é fomentar a participação e o envolvimento dos produtores nestas atividades, para tirar dúvidas e compreender os processos. Por isso, ele defende que o próximo passo crucial é levar a informação para o interior, promovendo conversas e espaços para esclarecimentos, quebrando resistências como ocorreu no passado.

Confiança Técnica e Transparência

o presidente do CTO é otimista com a atual condução do tema pelo Estado. “Um grande diferencial nosso é a equipe técnica da Secretaria da Agricultura (Seapi). Os técnicos dominam amplamente o assunto e mantêm um contato direto e ágil com o Ministério da Agricultura e Pecuária.” Segundo ele, essa agilidade no encaminhamento de dúvidas e sugestões torna o processo muito mais transparente, seguro e menos engessado para o produtor.

A ideia é que, quando a rastreabilidade for uma exigência inegociável para todos, o Rio Grande do Sul já tenha dominado e superado os erros naturais de qualquer novo projeto. Piffero acredita, inclusive que, se o ambiente se mostrar favorável e os produtores adquirirem o conhecimento necessário, o estado poderá até mesmo antecipar suas datas de implementação. "Nós temos um projeto que está sendo implantado, não está no papel, ele está de fato sendo implantado", destaca Piffero, ressaltando o valor de poder mostrar ao mundo propriedades reais onde a rastreabilidade já está funcionando.

 

Texto: Thais D'Avila e Seapi

Foto: Cassiane Osório/Seapi


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